Leonardo

Leonardo Arantes Marques

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Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, Professor Universitário, Conferencista e Estudioso em História das Religiões e Filosofias Ocidentais e Orientais, com três publicações no Brasil. Atualmente leciono: Introdução à psicopatologia I e II, psicologia geral, psicologia da educação, psicologia do desenvolvimento-aprendizagem, organização e política da educação brasileira, história da educação, filosofia da educação e pesquisas acadêmicas nas áreas da psicologia e pedagogia.

Coordeno e Supervisiona o SERES (Sociedades de Estudos Históricos das Religiões e Espiritualidades). Com visão histórica e ampla do contexto social e político, acredito que os meus estudos, livros, trabalhos, palestras e seminários sobre História das Religiões contribui para a expansão do conhecimento dos Universos Sagrados Existentes e para uma sociedade mais ética, “calcada nos valores da sustentabilidade, da inclusão social, da cidadania e do respeito à diversidade étnica e cultural”. Possuo vasta experiência em Conferências, Seminários e Palestras em História das Religiões, Psicologias e Filosofias para Cursos Superiores e Pós-graduação Lato Sensu.

Currículo

ENTREVISTA

REPÓRTER: O Senhor Acredita que mesmo com todo o avanço científico que temos neste século alguém tem interesse em estudar história das Religiões?

Léo: ‘Apesar de todo o progresso realizado pela ciência em seus diversos campos de atuação, esta é plena de manifestações da religiosidade humana. Diferente do que se pensou a partir do Iluminismo e mais com o positivismo, o desenvolvimento científico não extirpou a presença do sagrado na construção sócio-cultural’.

Como entender esse fenômeno?

A civilização atual caracteriza-se por ser global. As mudanças dão-se de modo rápido. As experiências culturais e simbólicas tocam-se mutuamente. Não é difícil perceber que estamos em um mundo múltiplo, de muitas alternativas históricas, antropológicas, filosóficas, religiosas, etc.’.

Para o Senhor qual a importância do estudo do sagrado nesses diversos horizontes das experiências vividas?

O objetivo puro e claro da História das Religiões é constituir referencial teórico onde aponta-se outros horizontes, bem como, a possibilidade de observar outras tantas verdades existentes sobre o assunto que chamamos Universo Sagrado’.

Suas aulas possuem algum fundo ideológico?

As aulas, as conferências, bem como, os seminários sobre História das Religiões não possuem o interesse de contribuir para um processo de indução, visando a que os ouvintes ou alunos abracem este ou aquele pressuposto teórico religioso, científico, filosófico, etc.; isto significaria incorrer no mesmo erro cometido por inúmeras gerações, ou seja, definir e enquadrar as religiões nos seus supostos seguimentos de verdades absolutas’.

O que significa e como é para o Senhor Ensinar História das Religiões?

Significa enfrentar as grandes questões que afetam a forma como homens e mulheres nesta nossa sociedade constroem suas razões efetivas (sentidos de existência) para viver como vivem e porque vivem. Ensinar e discutir essa matéria já nas séries iniciais do Ensino Fundamental, Médio e Universitário, significa assumir a necessidade de perceber que a vida não está posta somente na exigência de construir modos de coesão social’.

Qual a diferença entre Ensino Religioso e História das Religiões?

O Ensino Religioso é normativo e pretende sempre ou de alguma forma consciente ou inconsciente ensinar sua ideologia verdadeira como salvação, seja ela de qual teologia for. A história das religiões não tem necessariamente uma forma ideológica, apesar de seus professores terem sempre uma ideologia dominante. ‘Todas as Verdades são ideológicas’.

Porém, observei junto as suas palestras, cursos e seminários que existem vários referenciais de estudo sobre Religiões. Isso não dificulta um pouco o entendimento entre seus alunos?

O que temos em História das religiões não são colégios teológicos e sim pressupostos teóricos ou vertentes de estudos sobre o mesmo fenômeno. Temos: as teorias Filosóficas, as Psicológicas, as Sociológicas, as Teológicas, a Fenomenológica (escola Eliadiana da qual faço parte) e Escola italiana. A vertente da escola italiana de história das religiões é eminentemente historicista’.

A pergunta mais difícil e que não quer calar: qual a sua religião?

É bom tentar falar um pouco da minha pessoa para o leitor dos meus livros saber em que terreno ideológico está pisando. Sei também que após ler esse relato muitos quererão me escrever e-mail, tentando me convencer do contrário como muitos já tentaram. Porém, digo que será apenas perda de tempo. Hoje sou agnóstico [1]’.

Ser agnóstico não é também um posicionamento de fé?

A minha visão de mundo hoje é Fenomenológica e Essencialista (Eliadiana) mais do que espiritualista, religiosa ou meramente historicista. Tenho consciência que o que aprendemos não desaparece sem deixar vestígios, nos tornamos aquilo que somos hoje graças ao nosso passado que faz parte de nossa própria história’.

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[1] AGNOSTICISMO – Doutrina filosófica que considera impossível conhecer ou compreender, e portanto discutir, a realidade das questões da metafísica ou da fé religiosa (embora admita existirem, como a existência de Deus), por não serem passíveis de análise e comprovação racional ou científica. 2. Conceito criado por Thomas H. Huxley de que só o conhecimento adquirido e demonstrado racionalmente é admissível. Pode-se dizer que o agnosticismo, como atitude intelectual, tem duas vertentes. No terreno filosófico, consiste em negar qualquer possibilidade de conhecimento fora do terreno da ciência e do pensamento racional. No terreno religioso, consiste não em negar a fé ou as afirmações nela baseadas, mas em negar que essa fé e essas afirmações tenham ou possam ter suporte racional. Em ambos os casos, o pensamento agnóstico se baeia na razão, na racionalidade e no conhecimento científico. No segundo caso, ao não negar a metafísica, a fé e os fenômenos supranaturais, está, racionalmente, deixando aberta a possibilidade de aceitá-los, se e quando explicáveis pela razão.